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Projeto Alquimia está com inscrições abertas

Curso é voltado para jovens de baixa renda, surdos, com idades entre 16 e 29 anos

CURSO DE BIOJOIAS E OURIVESARIA CAPACITARÁ JOVENS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Estão abertas (até 31 de julho) as inscrições para o Projeto Alquimia – Curso de Ourivesaria e Biojoias, que começa em 05 de agosto. Voltado para jovens de baixa renda, surdos, com idades entre 16 e 35 anos, o projeto tem à frente a designer Suzana Rodrigues e o ourives Celso Grecov. Referência em seu ofício, Suzana vem desenvolvendo há quase 20 anos uma técnica especial, onde elementos, em sua maioria, coletados– e não extraídos da natureza–, são as matérias-primas das joias. Ou melhor: biojoias. Já Celso é um mestre da ourivesaria, com 54 anos de profissão. “Fizemos este projeto voltado para os surdos, pois sabemos que sempre que somos privados de algum sentido, desenvolvemos os outros com maior intensidade. Acredito muito na sensibilidade que vamos estimular e também descobrir durante a oficina”, afirma Suzana.

Apoiado pelo FAC – Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria de Economia Criativa do Governo do Distrito Federal, as aulas serão ministradas no Núcleo de Ensino, espaço cedido pela ARUC – Associação Recreativa do Cruzeiro. O curso se estenderá por quatro meses, diariamente, com turmas matutina e vespertina. Ao final, o resultado do aprendizado será exibido, presencialmente ou virtualmente, a depender dos desdobramentos da pandemia.

Além do diferencial da matéria-prima (apesar de utilizar também pedras semipreciosas, materiais orgânicos cascas, texturas e sementes de jarina, paxiubão, açaí, baru, jequitibá, entre outras, destacam-se), o trabalho de Suzana é reconhecido Brasil e mundo afora pelo design, qualidade e aspecto social agregado. Para ela, esta última característica é o elemento mais precioso que o seu talento produz. Suzana nunca fez questão de tornar sua técnica exclusiva, mercadologicamente. Ao contrário, desde o início buscou compartilhar os seus conhecimentos através da responsabilidade social, o que fez em um projeto com detentas (chegando a capacitar 300 mulheres) e ministrando oficinas a alunos de baixa renda dentro de vários projetos sociais. A ideia é que toda a cadeia produtiva seja valorizada. E isso se dá logo no início, gerando trabalho e renda às comunidades ribeirinhas e indígenas responsáveis pela coleta das matérias-primas.

Apaixonado por sua arte, o mestre Grecov também compartilha da crença de se passar adiante os saberes, multiplicando talento e oportunidades de trabalho. “Meu primeiro mestre foi um italiano versado nessa nobre profissão. Eu tinha 14 anos e descobri ali o que faria para o resto da minha vida. É um trabalho que me realiza muito, que pede concentração, que me faz companhia. Tenho certeza que levará muita luz ao universo silencioso dos nossos alunos”, garante Celso Grecov, que trabalhará com os alunos técnicas como de fusão, laminação/trefilação, soldagem, modelagem, corte e acabamento.

SOBRE SUZANA RODRIGUES

Desde pequena, Suzana Rodrigues foi dada às artes. Na infância, participou de concurso de desenho para escolas públicas do GDF e dentre centenas de alunos, foi a primeira colocada. Trabalhou em várias áreas, mas foi criando acessórios que ela se realizou e tirou o seu sustento.

Em 2002 especializou-se em biojoias e através da diversidade de matérias-primas naturais e recicladas passou a confeccionar colares, pulseiras, braceletes, brincos, tiaras e bolsas num trabalho de muita originalidade. Sua marca surgiu no mesmo ano, a partir de um trabalho social voluntário desenvolvido com as internas da Penitenciária Feminina de Brasília, onde capacitou mais de 300 mulheres.

Seu trabalho chamou atenção e de lá para cá participou de eventos e foi apresentada a apresentar sua arte em espaços diversos, sempre como convidada. Entre eles estão: Feira de Artesanato do Projeto Mãos de Minas (MG), Feira Gift (SP), Feira do Empreendedor do Sebrae (DF) e Feira da I Bienal Brasileira de Design de São Paulo, Semana Internacional de Moda de Madri (Espanha), Semana Internacional de Moda de Lisboa (Portugal), exposição “Destination: Brazil” no MoMA (EUA), e da mostra “Destino Moma Brasil” (SP)

Além de admirado, seu trabalho também foi premiado dentro e fora do Brasil. Entre os reconhecimentos estão o Prêmio de Exportação (categoria Responsabilidade Social) do Governo Federal e o Selo Internacional do Produto, dado pelo Consórcio de Tutela do Trabalho Justo, Ético e Solidário de Milão (Itália).

Sua técnica e talento está registrado em livros publicados pelo Sebrae, como modelo de empreendedorismo e em inúmeras publicações como Le Monde, Corriere de la Serra, revista Claudia, além de jornais revistas e programas de televisão locais. Por várias ocasiões foi convidada a compartilhar seu conhecimento através de palestras sobre empreendedorismo e design Brasil afora.

SOBRE CELSO GRECOV

É mestre em Ourivesaria/Joalheiro por Notório Saber, com 58 anos de experiência na área de Ourivesaria. Seu primeiro Mestre foi um Italiano versado nessa nobre profissão, com quem aprendeu e trabalhou de 1962 a 1971, no estado de São Paulo. Na década de 70 trabalhou como ourives-modelista na joalheria Joias Tótis (SP) e como modelista-líder na Joias Beta S/A (AM). Deu início, então, a uma carreira autônoma, com sua própria oficina, por onde passaram aprendizes de diversas regiões do Brasil. Nos anos 90, já em Brasília ensinou o seu ofício através de uma promoção do Governo do Distrito Federal com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Nos anos 2000, prestou assessoria técnica e confecção de modelos para a joalheria paulistana Trevo Joias. Entre 2007 e 2017 executou e desenhou várias peças para coleções, inclusive assinadas pela designer Kristhel Byancco. Apenas para ela, foram 112 peças. Atualmente, projeta, desenha e executa peças de joalheria sob encomenda.

Serviço

Projeto Alquimia- Inscrições abertas

Início do curso: 05/08

Duração: 4 meses

Vagas: 16

Investimento: gratuito

*restrito a jovens entre 16 a 29 anos, de baixa renda, surdos e alfabetizados em português e libras

www.alquimiajoias.com

Objeto do Projeto:                 Capacitar portadores de deficiências auditivas para trabalho de ourivesaria, biojoias e design. Tornar um espaço que foi CEDIDO pela ARUC – Associação Recreativa e Cultural Unidos do Cruzeiro para a realização desse projeto, em uma Oficina/ Escola, centro de referência, produção e difusão de conhecimentos sobre as peculiaridades e necessidades especiais de educandos com essas deficiências, como também sobre as técnicas de ourivesaria, biojoias e design e tendências do mercado. Promover o fortalecimento da autoestima e desenvolver o espírito crítico de cada aprendiz, por meio de informações sobre cidadania, inclusão social e de direitos, qualidade de vida, meio ambiente e empreendedorismo;             Promover, por meio de eventos ou marketing social, as peças criadas e fabricadas pelos aprendizes, enfatizando seus talentos e a importância do projeto para a geração de renda, inclusão social e criatividade.  Incluir esses cidadãos no mercado do Distrito Federal, dentro da área de abrangência de Artesanato, Moda e Design  
Justificativa:                 No cotidiano das grandes cidades e também em comunidades distantes e de difícil acesso, por mais que haja a intervenção do poder público para a inclusão de pessoas carentes e portadores de deficiências no mercado de trabalho, constata-se que a segregação e preconceitos são elementos determinantes da marginalização e exclusão desses brasileiros (as) no processo de reconhecimento de cidadania.                Se por um lado o sistema de ensino no Brasil já garante aos portadores de deficiência e carentes sociais o direito ao conhecimento por meio da educação, mesmo que de forma precária por outro que está muito aquém de possibilitar acesso a uma formação profissional que forneça sua inserção no sistema produtivo.                De um universo de pessoas que já extrapola os 54 milhões, segundo a maioria das estatísticas, apenas 180 mil de deficientes e pouco menos da metade (26 milhões) dos considerados mais pobres estão empregados. Os empresários justificam que a causa dessa defasagem está no despreparo profissional destas pessoas.                 A existência de leis que obriguem as pessoas a contratarem um percentual de pessoas nestas condições não é suficiente se não houver mão de obra qualificada para preencher as vagas oferecidas.                  Em suma, há muitas vagas e faltam pessoas qualificadas. Estar preparado para o mercado de trabalho é condição determinante para que qualquer cidadão seja admitido na maioria dos cargos oferecidos, mesmo sendo numa empresa de pequeno porte e não é nada fácil conseguir acesso a cursos de formação profissional adaptado as limitações de cada deficiente, a localização próxima dos excluídos, a programas que atendam às suas necessidades além de instrutores gabaritados para ensiná-los.  O portador de deficiências e às pessoas oriundas do substrato mais humilde de nosso povo, não precisa somente de ações protecionistas, mas ao contrário, deseja uma oportunidade para sua realização profissional e inclusão social com autonomia.  

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Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio a Cultura do Distrito Federal.

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